terça-feira, 22 de maio de 2012

MÚSICA E VELOCIDADE DO MUNDO

Quase igual a da luz. O mundo ta rápido pra caralho. Você está pagando um estúdio foda (microfones, shure, neumann, pre amps fudidos, baterias e etc.. aquela merda toda),  e, como você está pagando, então você tem 2 horas pra gravar a música que você fez pra sua namorada. FODEU TUDO BIXO! A questão não é ensaio. O ponto é sentimento.

Eu estava lendo a biografia do Keith Richards, e lá ele conta como gravaram o álbum "Exile on Main Street", uma das obras primas dos Stones. No livro ele conta que as condições foram as piores, pois não gravaram em um estúdio, e sim dentro da casa do Keith, na França em Nellcôte. E bem, uma casa não tem acústica estudada pra gravação, a coisa pode ficar genial, como pode ficar uma merda. Era quente pra burro lá. E existiam outros problemas que você só vai entender se sacar um pouco de produção de áudio. Resumindo foi FODA GRAVAR LÁ. E o disco é MUITO FODA. Mas aí tá o negócio. O cara estava em casa. Se surgisse uma ideia nele, ele ia lá e gravava na hora, não esperava nada.

Em minha opinião, o momento mais lindo de uma música é quando você acaba de fazer ela, é quando ela soa mais legal. Acho que é porque as musicas vem meio que de Deus, do cosmos, e só passa por nós, então, quando menos agente enrolar pra registrar ela, menos agente vai estragar ela. Muita gente acaba ferrando com um som, pois como enjoou dele, começa a colocar mais coisa, ou a mudar, e aí estraga tudo. Parece que existe uma espécie de validade pra gente gravar um som. Quando você a capta diretamente saindo do seu coração e já a coloca direto na fita, então você conseguiu um dos ingredientes que eu considero mais importantes para uma gravação soar BEM.

Eu sempre adorei gravar assim. Quando vinha um som para minhas mãos. Eu corria pro meu “estudiozinho” em casa, apontava um mic pra voz, apontava outro mic pro violão. E aí gravava aquela coisa linda que tinha acabado de sair. No vocal eu cantava qualquer coisa que vinha na cabeça. Algumas vezes você não pode pensar muito. Tem que meter a boca no microfone e sair cantando mesmo. Aí pronto !!! Já estava ali a certidão de nascimento da canção. Ela já ficava linda só no violão.

Agora, as músicas crescem, tem filhos e constroem famílias. Sim. É aí que vinham os caras da banda. E sobre aquela guia cheia de sentimento eles desenvolviam os seus instrumentos COM PACIENCIA. E não em 2 horas.


Sempre preferi fazer isso no meu “estudiozinho” em casa, do que ir pra um puta estúdio e fazer tudo correndo em 2 horas.

Mas hoje o mundo está muito corrido, nem sempre você está em casa quando vem a inspiração, ou algumas vezes você está, mas tem que fazer algo que não pode esperar.

Vejo as pessoas estressadas em “facebooks” e “orkuts” da vida, pois tem que dar atenção pra 100 "amigos" ao mesmo tempo. Saber da vida de 700 pessoas. Aquela avalanche de informação que a internet joga em nós, faz agente aprender a ler as coisas por cima, pois não dá tempo de ler tudo até o fim. Conclusão: agente não lê nada, e ainda fica estressado, e sentindo um vazio, porque no fundo agente sabe que perdeu tempo. E tempo é muito importante. Principalmente oque você faz com ele.

A conclusão é que eu acho que hoje agente acabou desenvolvendo esse método de pensar tudo por cima pra conseguir poder pensar em tudo. Só que quando você vai desenvolver seu som encima daquela guia cheia de sentimento, você vai precisar ficar horas pensando na mesma coisa. Vai precisar perder um tempão pensando. E aí o cérebro moderno não consegue.

Pense nisso! Desacelere um pouco. Procure pensar mais sobre menos coisas.

Abraço a todos que leram isso até aqui. Vocês estão no caminho certo só de ter conseguido.

quinta-feira, 1 de março de 2012

COMO UMA GRAVAR UMA MÚSICA (COM BATERIA, BAIXO, GUITARRA, ETC) SEM PC NA SUA CASA

Na foto sou eu e o meu irmão gravando um som. Eu tinha 14 anos, e ele 12. Eu feio pra caralho com aquela mania de deixar cabelo grande.

Não, não vou falar do "Let it Bleed" dos stones, pelomenos não agora. E afinal não tem nem oque falar de um disco FODA desse. E me perdoem os erros de portugûes, aqui meu interesse vai além da gramática. Não deu tempo de ver o resto.

Nessa minha primeira postagem quero falar de gravação e de como eu comecei a gravar com 13 anos sem ter nem uma porra de um PC em casa. Yeahs, it's possible !
Cara, eu sempre quis fazer as coisas, desde que aprendi o primeiro acorde, eu quis fazer uma música. E gravar nao foi diferente. Sempre adorei gravar. O sentido da minha vida foi por um bom tempo gravar músicas. Mas com 13 anos como que se faz isso ? Sem ter um PC ?
A resposta é: VIDEOCASSETE, sérião. E não só um, mas dois deles. E depois vc tem que ter uma mesa de som de 4 canais (watson da vida), 3 mics de karaoke, umas caixas de som boazinhas (ou usa o som da TV mesmo), e principalmente FORÇA DE VONTADE E AMOR AO ROCK. Esses últimos sempre vao ser os principais.

Eu esperava minha banda ensaiar em casa, e quando rolava do povo deixar as coisas em casa pra pegar no dia seguinte eu corria gravar, pra não perder tempo e aproveitar os equipamentos deles.

A parada é assim, você pega um mic poe dentro do bumbo, outro entre a caixa e o ximbau e outro entre o prato de ataque e um dos tons. O surdo e o outro tom que se foda ! Bate mais forte neles quando gravar. A bateria da música vc tem que ter de cabeça, ou pede pra alguem ir tocando a musica no violão perto de vc e cantando no seu ouvido. Eu nunca precisei de playback pra gravar bateria.

Aí vc liga esses mics na mesa, pega a saida de som da mesa e liga na entrada de som de um dos videocassetes, que vou chamar de "videocassete A". Dá rec, grava a batera, volta a fita e ve se tem que arrumar algo, aumentar o bumbo, sei lá. Se precisar, regula o som e grave a bateria novamente, até ficar do seu gosto. Gravada a bateria, vem a mágica. Você pega a saída de som do "videocassete A" e liga na mesa de som pega o baixo e liga na mesa de som também. Agora a saida da mesa de som você liga na entrada de audio do "videocassete B", e a saída de audio do B vc liga nas caixas de som que vc escuta musica, ou manda pra TV mesmo. Quando vc der Play no video A, vai ter o playback da bateria pra poder tocar o baixo.

O som que está sendo gravado no video B é o playback da bateria + o baixo que vc ta tocando. Gravado o baixo, vc troca a fita do video A com o video B e faz a mesma coisa gravando a guitarra (ponha um mic ou dois na frente do amp), e depois o vocal, guitarra solo e qualquer coisa que quiser. E CABOU !

Você vai dizer que o som fica uma merda ? Sim até concordo, fica um pouco de xiado no fundo porque as coisas passaram várias vezes pelo processo. Mas na boa, ouvir aquilo depois de gravado, era foda !!!! Eu passava depois pra um cassete comum, e ouvia no corcel 76 azul do meu pai. Me sentia um Beatle !

Só queria chegar a conclusão aqui de que acho que agente passa muito tempo se preocupando em gravar com qualidade e pá, mas o principal AINDA e SEMPRE será o som que vc toca, e oque estava sentido quando gravou. As pessoas podem não saber porque, mas sentem que está melhor quando a coisa é feita com amor. Hoje não é mais TÃO foda gravar bem. Gravação boa. Tá entupido. Música tocada com amor. Uhn, aí já não sei. Acho que faz tempo que não escuto algo realmente tocado com amor. Dá pra sentir, você vai saber. É que nem quando vc gosta de uma garota. Acho que hoje no mundo da música rola muita concorrencia, pouca parceiragem, inveja pra cacete, e cara gorando você. Mas isso é um assunto que eu vou deixar pra falar depois.